
O Governo de São Paulo encerrou na segunda-feira (6) a votação popular na Agência SP para a escolha do nome da nova tuneladora da Linha 2-Verde do Metrô , e a vencedora foi a apresentadora e cantora Hebe Camargo. No Mês da Mulher , o Estado de São Paulo manteve a tradição de lançar um nome feminino forte e inspirador para batizar as gigantescas máquinas responsáveis por perfurar e instalar anéis de concreto nos túneis metroviários e em outras obras de infraestrutura de grande porte.
O “tatuzão”, como os paulistas chamam o maquinário, será responsável por escavar entre as futuras estações Penha, na capital, e Dutra, no limite com Guarulhos.
Assim como as tuneladoras anteriores, que receberam os nomes de Lina, Tarsila e Cora Coralina (atualmente em operação na mesma linha) , a ideia foi reconhecer brasileiras notáveis em suas áreas e que impactaram gerações com pioneirismo, talento e determinação. Com sua atuação, expandiram o papel da mulher na sociedade, conquista após conquista.

Para a nova tuneladora, a maior da América Latina, com 133 metros de comprimento, 11,67 metros de diâmetro e peso total de 2.600 toneladas, o público escolheu Hebe Camargo, um entre três nomes selecionados previamente pelo Metrô de São Paulo e pela Secretaria de Políticas para a Mulher.
O critério para a escolha foi o impacto transformador que representaram para a sociedade de seu tempo, pavimentando o caminho para as mulheres que vieram depois. As concorrentes eram a cantora e pesquisadora Inezita Barroso e a tenista Maria Esther Bueno .
Hebe Camargo foi precursora na comunicação, na cultura e protagonizou mudanças fundamentais, como cavar espaço em setores predominantemente masculinos com empenho e um tanto de teimosia.
Eleita a Rainha da Televisão em 1960, quando já tinha apresentado mais de uma dezena de programas e acumulava a nova profissão com a carreira de cantora, Hebe Camargo nasceu em pleno 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em uma família musical, em 1929. Foi descoberta aos 13 anos, em um concurso da Rádio Record em que personificou Carmen Miranda. Ganhou o primeiro lugar e desde então passou a ajudar os pais com a nova profissão.
Após uma bem-sucedida carreira nas rádios, estreou nas telinhas em 1950, já na histórica primeira transmissão da TV no Brasil, e liderou o primeiro programa feminino. Ao longo das seis décadas em que esteve no ar, desenvolveu um estilo de comunicação muito direto e próximo ao público, o que lhe garantiu espaço em horário nobre para informar e entreter. Hebe faleceu em 2012.