
O uso de resíduos orgânicos, como esterco animal e restos de vegetais, tem se consolidado como alternativa para a produção de fertilizantes naturais. Esses materiais podem contribuir para a melhoria da estrutura do solo, aumento da retenção de umidade e fornecimento de nutrientes essenciais às plantas. O Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), analisa os parâmetros que indicam a qualidade do material e sua viabilidade de uso agrícola.
De acordo com a coordenadora do Laboratório de Ensaios de Inorgânicos do ITPS, a engenheira agrônoma Débora Feitoza, o adubo orgânico não se limita ao esterco bovino, podendo ser produzido a partir de dejetos de diferentes animais, como aves, além de restos de plantas. “É um adubo que possui os mesmos nutrientes do químico, mas em concentrações menores, o que exige maior quantidade na aplicação. Por outro lado, é uma alternativa natural e alinhada com práticas mais sustentáveis”, explica.
Ela destaca, ainda, que o material precisa passar por um processo adequado antes de ser utilizado. “Os resíduos devem ser armazenados em local protegido e passar por um período de decomposição. Após esse processo, o produtor pode encaminhar a amostra para análise, onde verificamos a quantidade de nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio”, detalha.
No laboratório, são utilizadas metodologias padronizadas para determinar parâmetros físico-químicos, como pH e teor de matéria orgânica, além da quantificação de macro e micronutrientes. Esses resultados permitem avaliar não apenas a fertilidade do material, mas, também, possíveis riscos, como excesso de sais ou desequilíbrios nutricionais, garantindo maior segurança na aplicação no solo.
Segundo a engenheira agrônoma, a análise também permite avaliar outros benefícios do fertilizante orgânico. “Além de fornecer nutrientes, ele ajuda a melhorar a microbiota do solo e aumenta a capacidade de retenção de água, o que é importante para o desenvolvimento das plantas”, afirma.
Proprietário de uma uma plantação de coqueiros, Raimundo Sales conta que, recentemente, adquiriu 100 toneladas de esterco de galinha com o objetivo de utilizar como fertilizante em sua plantação, localizada no município de Pacatuba, no interior do estado. Antes da aplicação, ele encaminhou amostras ao ITPS para garantir a qualidade do material. “Fiz questão de trazer a amostra para análise porque é importante ter certeza do que estamos colocando no solo. O resultado foi bem detalhado e me deu segurança para utilizar o material na plantação”, relata.
Raimundo também destacou a eficiência do serviço prestado pelo instituto. “A análise foi rápida e bem conduzida. O atendimento no ITPS foi muito bom e o laudo trouxe todas as informações que eu precisava para aplicar corretamente o adubo. Isso faz diferença no resultado final da produção”, enfatiza.
A importância dessas análises também é destacada por pesquisadores que utilizam o serviço em estudos científicos. A pesquisadora Érika Cristina Brandão, do Instituto Federal de Sergipe (IFS), explica que o envio de amostras ao ITPS faz parte de pesquisas relacionadas à compostagem de resíduos orgânicos. “Enviamos as amostras para verificar a qualidade do material e se ele atende aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Agricultura”, relata.
Ela ressalta que os resultados obtidos contribuem para a validação dos estudos e reforça a confiabilidade do serviço. “O fato de o instituto ser credenciado garante mais segurança nos resultados e fortalece as pesquisas”, afirma.
Serviço
Os serviços do ITPS podem ser solicitados presencialmente no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), localizado na rua Vila Cristina, bairro 13 de Julho, em Aracaju; pelos telefones (79) 3198-8811 e (79) 99191-3042; ou pelo e-mail sac@itps.se.gov.br.




