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Acidentes com animais peçonhentos: cuidados imediatos e o que não fazer
Orientação é evitar contato com os animais e, em caso de picada, procurar atendimento médico imediato
08/09/2026 09h25
Por: Antônio Carlos Garcez Fonte: Secom SP

Aranhas, escorpiões e serpentes são os que mais levam as pessoas a procurar atendimento médico quando se trata de acidentes envolvendo animais peçonhentos. Saber identificar cada espécie e como lidar com cada animal é essencial para evitar envenenamentos. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo orienta que a população procure atendimento médico imediato em caso de picadas, mesmo nos casos em que o animal não tenha sido visto pela vítima.

O estado conta com 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs), preparados para atender casos com rapidez e realizar o tratamento adequado, incluindo a aplicação do soro antiescorpiônico quando necessário. A lista das unidades está disponível em: cievs.saude.sp.gov.br/soro

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Veja abaixo orientações sobre cada animal peçonhento:

Aranhas

Entre as milhares de espécies de aranhas que existem no Brasil, somente três gêneros são considerados de importância médica, ou seja, que podem provocar envenenamento grave em pessoas: a viúva-negra (Latrodectus), a armadeira (Phoneutria) e a aranha-marrom (Loxosceles). Enquanto a primeira causa acidentes muito raramente e não requer uso de soro, a armadeira e aranha-marrom somam mais de 10 mil acidentes por ano.

Em caso de suspeita ou confirmação de picada por aranha, não hesite em procurar um serviço de saúde para confirmação. De preferência em posse da aranha ou de uma foto nítida dela.

Todas as aranhas possuem veneno, mas a maioria não tem impacto significativo na saúde humana. Picadas de aranhas sem importância médica podem gerar desconforto, como dor, inchaço e vermelhidão; no entanto, são sintomas passageiros e que normalmente se resolvem com medicações para dor e alergia. Quando a lesão persiste, piora e não responde a tratamentos convencionais, deve-se procurar atendimento médico o quanto antes.

Quais aranhas são de importância médica?

Aranha armadeira da espécie Phoneutria nigriventer. Foto: Rafael P. Indicatti/Comunicação Butantan

As nove espécies de aranhas do gênero Phoneutria, conhecidas como aranha-armadeira ou aranha-das-bananas, ocorrem em países da América do Sul e Central. Elas são encontradas em plantações de bananas e, em áreas urbanas, geralmente dentro de roupeiros e armários de residências. O seu tamanho varia entre 1,7 a 4,8 cm de corpo e até 15 cm de pernas. Consideradas extremamente agressivas, elas atacam ao se sentir ameaçadas.

São conhecidas como armadeiras por “se armarem” quando se sentem atacadas. Ou seja, esticam as pernas anteriores para cima e sentam sobre o abdômen e, se preciso, pulam em direção a quem estiver as ameaçando.

Loxosceles gaucho, espécie de aranha-marrom comum no Brasil. Foto: Paulo Goldoni/Comunicação Butantan

A Loxosceles é uma aranha pequena, de até 4 cm, e só pica quando é comprimida. Costuma ficar escondida em móveis, roupas, sapatos e lençóis.

A picada da aranha-marrom, inicialmente, pode ser confundida com uma picada comum de inseto, porque os sintomas levam horas para progredir. O paciente pode sentir dor, que aumenta com o passar do tempo, e apresentar uma lesão de coloração pálida, arroxeada e com vermelhidão ao redor. Alguns casos evoluem para necrose, e quadros graves podem levar à síndrome hemolítica (quebra dos glóbulos vermelhos), causando palidez, pele amarelada e urina escura.

Escorpiões

Os escorpiões se adaptaram ao ambiente urbano, onde encontram ampla disponibilidade de alimento (como as baratas), água e abrigo. Eles se escondem em locais escuros e costumam entrar nas residências por meio de ralos, calhas, tubulações e caixas de fiação sem vedação. Nem os andares mais altos dos prédios estão totalmente livres do animal, já que ele consegue escalar superfícies irregulares.

Como os encontros entre esses aracnídeos e os humanos estão cada vez mais frequentes, é importante saber como lidar ao se deparar com o animal e como prevenir acidentes e complicações em caso de envenenamento.

Quais as espécies mais comuns em São Paulo?

Escorpião Amarelo: corpo amarelo claro, com manchas escuras sobre o tronco e na parte inferior do 5º segmento da cauda, mede até 7 cm. Os 3° e 4° segmentos da cauda possuem serrilha. É o escorpião que causa acidentes de maior gravidade, podendo levar a óbito.

Escorpião Marrom: corpo marrom avermelhado escuro, quelíceras e pernas mais claras, com manchas escuras, e pode medir até 7 cm. Não possui serrilha na cauda. São menos numerosos que o escorpião amarelo, mas são igualmente perigosos.

Escorpião-amarelo-do-nordeste: mede entre 5 e 7 cm e possui coloração predominantemente amarela. Apresenta um triângulo escuro na região dorsal do cefalotórax e uma faixa escura central ao longo do dorso do tronco. No 3º e 4º segmentos da cauda, é possível observar uma serrilha dorsal, além de uma mancha escura no 5º segmento. Essa espécie é considerada perigosa devido à potência de seu veneno.

Encontrei um escorpião, e agora?

As autoridades de saúde só indicam tentar capturar um escorpião se você se sentir seguro e protegido. Nesse caso, você vai precisar de luvas específicas ou de um objetivo longo e fino, de superfície lisa. Também é preciso ter em mãos um frasco plástico fundo, de superfície lisa e tampa (evite potes de vidro que possam quebrar), para colocar o animal depois da coleta.

Se não houver segurança, entre em contato com a prefeitura de sua cidade e comunique o aparecimento do animal.

As recomendações da Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo são as seguintes:

O que não fazer?

Cobras

Em épocas chuvosas, as serpentes podem surgir em áreas urbanas pois, assim como os seres humanos, elas também sofrem com as inundações em seu habitat natural e tentam sobreviver em áreas mais secas.

Para evitar ser picado por uma cobra nestas situações, o mais importante é não tocar o animal em hipótese alguma e procurar ajuda imediata.

Em primeiro lugar, ligue para a Polícia Ambiental, o Centro de Controle de Zoonoses do seu município, o corpo de bombeiros ou a Secretaria Municipal de Saúde. Estes órgãos sabem como proceder garantindo a segurança de todos – tanto da pessoa que encontra quanto do animal em questão. Os órgãos responsáveis vão decidir se devem fazer a soltura em um local apropriado ou trazer ao Instituto Butantan.

Se o animal estiver dentro de casa, oferecendo perigo aos moradores, e não for possível se afastar, em último caso a pessoa pode tentar colocá-lo para fora com o auxílio de uma vassoura.

Como identificar uma serpente peçonhenta

Nos acidentes ofídicos, reconhecer a serpente agressora é fundamental para agilizar o diagnóstico, o tratamento e, consequentemente, a utilização correta do antiveneno, quando necessário, bem como possibilita o tratamento da maioria dos pacientes agredidos por serpentes sem importância em saúde pública.

Imagem: Instituto Butantan

As cascavéis são serpentes peçonhentas encontradas principalmente em regiões secas e abertas. Não são agressivas e, em geral, os acidentes acontecem porque sentem-se ameaçadas. Seu veneno possui um alto índice de letalidade, especialmente por sua ação muitas vezes levar à falência renal.

Sua característica mais marcante é a presença de um “chocalho”, formado por vários anéis na ponta da cauda, a qual utiliza-se do barulho para advertir e amedrontar a quem lhe importuna.

Imagem: Instituto Butantan

As jararacas são as responsáveis pelo maior número de acidentes no Brasil, especialmente devido a sua camuflagem que se assemelha ao solo de onde vive, assim dificultando a identificação do animal, somado ao seu comportamento agressivo de disparar botes.

Vive preferencialmente em matas, mas sua capacidade de adaptação a áreas urbanas ou próximas é elevada, o que também contribuiu para o alto índice de acidentes.

Imagem: Instituto Butantan

Apesar de ser considerada a serpente mais venenosa do Brasil, as corais possuem um baixo índice de acidentes. Isso se deve, em grande parte, ao fato de não ser um animal de comportamento agressivo e viver em habitat restrito.

Sua característica mais marcante é a coloração que chama atenção e mostra perigo. Pode ser constituída por anéis coloridos em preto, vermelho, branco, amarelo, etc., distribuídos em sequências diversas.

Muitas pessoas acreditam que é possível diferenciar as corais verdadeiras das falsas pela sequência das cores dos anéis. Muito cuidado, pois isso não é verdade, pois para cada padrão de coral verdadeira existe uma (ou mais) cobra que imita o padrão de cor.

Imagem: Instituto Butantan

A surucucu é a maior serpente peçonhenta das Américas, podendo ultrapassar quatro metros de comprimento. Vive em matas primárias e pode ser agressiva.

Visualmente é parecida com as cascavéis, diferenciando-se pela ausência do “chocalho” e pelo “pico de jaca” (forma das escamas que lembram esse fruto). Ela também tem o comportamento de “vibrar” a cauda no chão, emitindo um som semelhante ao do chocalho da cascavel.

Fui picado, o que fazer?

Após um acidente com qualquer animal peçonhento, o local da picada deve ser lavado com água e sabão e a vítima deve buscar atendimento médico. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) disponibiliza um mapa interativo online ( https://nies.saude.sp.gov.br/ses/publico/soro ) com a localização dos 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs) distribuídos pelo estado.

Não é recomendado fazer uso de torniquetes (garrotes), incisões ou passar substâncias (folhas, pó de café, couro da cobra etc.) no local da picada. Essas medidas interferem negativamente, aumentando a chance de complicações como infecções, necrose e amputação de um membro. Na medida do possível, deve-se evitar que a pessoa ande ou corra, deixando-a deitada e com o membro picado elevado.

O único tratamento eficaz para o envenenamento por animais é o soro antiveneno, ou antiofídico em casos de serpentes, específico para cada tipo (gênero). Quanto mais rapidamente for feita a soroterapia, menor será a chance de haver complicações.

O Instituto Butantan possui um hospital especializado no atendimento a envenenamentos por animais peçonhentos, o Hospital Vital Brazil, localizado dentro do Parque da Ciência, na cidade de São Paulo.

Veja também a lista de hospitais de referência no Brasil e o mapa com a localização dos hospitais de referência em São Paulo para atendimento de pacientes picados por animais peçonhentos.