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Como as borboletas dão alerta sobre os efeitos do aquecimento global

Deslocamento das espécies para áreas mais frias mostra como o clima está transformando os ecossistemas

Antônio Carlos Garcez
Por: Antônio Carlos Garcez Fonte: Secom SP
30/08/2026 às 14h40
Como as borboletas dão alerta sobre os efeitos do aquecimento global
Acervo de coleções de borboletas no Muzeu de Zoologia. Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Um estudo sobre cerca de 1.700 espécies de borboletas em 105 países mostra que elas estão migrando para regiões mais amenas, fugindo do aumento das temperaturas. O fenômeno é um alerta sobre os efeitos do aquecimento global, que já afetam diferentes formas de vida e começam a influenciar também onde as pessoas podem viver.

Ondas de calor, incêndios e outros eventos extremos já impactam até o mercado imobiliário em algumas regiões. As borboletas, portanto, são um pequeno exemplo de uma transformação que poderá atingir todo o planeta.

De acordo com José Eli da Veiga, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, trata-se do maior levantamento já feito sobre borboletas – o estudo foi publicado numa das revistas do sistema Nature.

A equipe que fez o estudo juntou elementos de 500 outros estudos para poder dar o panorama sobre o comportamento das borboletas.

“E o que evidentemente mais fica claro é que elas estão numa velocidade difícil de mensurar, estão migrando para ambientes menos hostis, principalmente em termos de temperatura, quer dizer, das áreas mais quentes para áreas mais amenas, em termos de clima.”

De acordo com José Eli da Veiga, esse estudo deve ser visto como uma reflexão sobre o que vai acontecer com praticamente todas as formas de vida e que de uma maneira ou de outra já está afetando a humanidade.

“O que os estudos sobre o aquecimento da Terra têm mostrado é que não demora muito algumas partes muito importantes do planeta que hoje são habitadas por humanos deixarão de sê-lo. É difícil saber quando e onde, mas é mais ou menos claro que isso vai acontecer”, alerta.

Segundo o professor, no verão europeu deste ano, a situação ficou tão grave com as canículas (períodos extensos de ondas de calor) e os incêndios que já há uma discussão sobre localização das residências usadas nas férias, a chamada segunda residência. “E isso já afeta até o mercado imobiliário em algumas dessas regiões, principalmente nos países onde esses fenômenos foram mais sérios.”

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