
Com o objetivo de sensibilizar os meios de comunicação e instrumentalizá-los sobre como noticiar temas sensíveis de maneira preventiva e evitando gatilhos, a Prefeitura de Alagoinhas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SESAU), promoveu na manhã desta terça-feira (11) a oficina “Mídia e Prevenção do Suicídio: Comunicação Responsável e o Papel da Imprensa na Valorização da Vida”. O encontro foi realizado no auditório do Faculdade Santíssimo e reuniu comunicadores, radialistas, estudantes e representantes da sociedade civil.
A iniciativa foi coordenada pelo Núcleo Intersetorial de Valorização da Vida (NIVAVI) e pela Coordenação de Saúde Mental do município. Durante a manhã, as palestras foram ministradas pelas psicólogas do Ambulatório de Saúde Mental, Luciana Costa e Ivanna Nascimento, abordando conceitos fundamentais sobre os fatores de risco e de proteção no comportamento suicida, além das recomendações técnicas para a cobertura jornalística e o compartilhamento responsável em redes sociais.
O coordenador municipal de Saúde Mental, Moacir Lira, destacou que a imprensa é uma aliada estratégica para desmistificar o tema e reforçou que as ações de cuidado devem ocorrer continuamente ao longo de todo o ano. “Nós estamos lidando com a valorização da vida e entendemos que a maneira como se comunica o problema do suicídio muitas vezes pode gerar gatilhos. Percebemos que a mídia precisa desse treinamento e a ideia foi sensibilizar este público, que é um grande parceiro, para que compreendam melhor o fenômeno e as formas adequadas de comunicar. Lembrando que a prevenção ao suicídio não se restringe ao Setembro Amarelo; precisamos pensar na saúde mental de janeiro a janeiro, trazendo a imprensa para entender e colaborar nesse processo”, explicou.
A assistente social e coordenadora do NIVAVI, Evelyn Monique, pontuou os impactos do projeto. “Quando tratamos de comunicação responsável, estamos prevenindo novos casos, pois uma matéria inadequada pode gerar gatilhos. Falamos sobre os fatores de risco, de proteção e sobre os efeitos Werther e Papageno, mostrando como uma notícia bem construída protege leitores e ouvintes. Alcançamos profissionais de rádio, TV, estudantes e a sociedade civil, o que é fundamental, pois muitos compartilham notícias e vídeos sem dimensionar os riscos. Esta foi a nossa primeira oficina, mas já estamos organizando encontros para estudantes de jornalismo, psicologia, serviço social e demais áreas da saúde”, afirmou.
O NIVAVI atua fundamentado em três eixos principais: prevenção, pósvenção e monitoramento/acompanhamento. A oficina integra o eixo preventivo e reforça que a responsabilidade na transmissão de dados e imagens é uma ferramenta direta para salvar vidas.
Foto: Secom / Alagoinhas