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Índice de leitura na rede estadual de SP cresce com álbuns digitais de figurinhas de futebol

Alunos do Ensino Fundamental e Médio ampliaram em até 43,03% a média semanal de leitura, calculada em minutos; centenas de livros estão disponíveis...

Antônio Carlos Garcez
Por: Antônio Carlos Garcez Fonte: Secom SP
23/06/2026 às 16h57
Índice de leitura na rede estadual de SP cresce com álbuns digitais de figurinhas de futebol
Além do aumento no tempo de leitura, houve mais acessos à plataforma. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) implantou uma estratégia inspirada em álbuns de figurinhas de futebol para incentivar a leitura entre estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio. A iniciativa começou em 20 de maio nas plataformas Elefante Letrado, para alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, e LeiaSP, para alunos dos anos finais e do Ensino Médio, e um levantamento da pasta mostra que, nas quatro semanas seguintes ao lançamento, o tempo médio semanal de leitura aumentou. Entre estudantes dos últimos dois ciclos, o crescimento foi de 43,03%, passando de 14,15 minutos por semana para 20,24 minutos.

Além do aumento no tempo de leitura, houve mais acessos à plataforma. O número de estudantes que utilizaram o LeiaSP subiu de 1.378.622 para 1.576.723 no mesmo período — alta de 14,36%. Nos anos iniciais, atendidos pelo Elefante Letrado, o tempo médio semanal também cresceu, de 33,96 para 37,45 minutos, um aumento de 10,27%.

Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP

Como funcionam os álbuns

A dinâmica é simples: cada minuto de leitura gera pontos, que podem ser trocados por figurinhas digitais. Em razão da Copa do Mundo, cada minuto lido vale 5 pontos, com arredondamento para minutos incompletos, e a conclusão de um livro rende um bônus de 200 pontos.

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Com esses pontos, os estudantes abrem “pacotinhos” virtuais e completam álbuns com temas ligados ao futebol. Entre os exemplos estão “Jogadores da Copa do Mundo”, “Seleção Brasileira” e “Vencedores da Copa”.

Os álbuns são lançados semanalmente na plataforma e permitem trocas de figurinhas entre colegas, inclusive em sala de aula. A Seduc-SP orienta que o uso pedagógico ocorra, em média, uma vez por semana, com acompanhamento do professor e espaço para leitura dentro da rotina escolar.

Mudança na sala de aula

Na Escola Estadual Parque Jurema IV, em Guarulhos, a diretora Luciana Reis Godoy de Moraes relata uma mudança no comportamento dos estudantes.

“Antes do álbum, nós tínhamos um desafio que eram os alunos que se dispersaram no computador nas aulas de leitura. Agora eles mostram para a gente, contam que estão lendo. Os álbuns trouxeram um incentivo, uma competitividade saudável e a experiência de troca de figurinhas porque eles, de forma geral, não têm acesso ao álbum da Copa e às figurinhas”, diz.

A diretora destaca que o engajamento se espalhou por diferentes turmas: “Isso tá acontecendo com todo mundo, desde o 6º ano até o 9º ano”. A unidade de Guarulhos atende 406 alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e todos eles já acessaram a plataforma.

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A diretora também compara a experiência com outras iniciativas ao longo da carreira: “Estou na Educação há 20 anos e nunca vi uma ação semelhante, principalmente em época de Copa do Mundo. Colocar um álbum no LeiaSP foi um incentivo porque o aluno engajou e em nenhum outro ano a gente viu isso. A tecnologia trouxe um alento para as nossas aulas, vieram como complemento”. A diretora, que chegou na rede como professora de língua portuguesa, faz uma reflexão sobre o passado: “Antes, eu andava com uma caixa com 40 livros e não eram todas as obras em quantidades disponíveis para todos os alunos”.

Na escola, a recomendação de uso semanal é seguida: uma aula de leitura no LeiaSP, com parte do tempo para leitura orientada e outra para escolha livre de livros. Os dados da escola de Guarulhos acompanham a tendência da rede. O tempo médio semanal de leitura subiu de 56,59 para 79,95 minutos, aumento de 41,27%.

Experiência dos alunos

Para os estudantes, a troca de figurinhas e o caráter colecionável ajudam a sustentar o interesse pela leitura.

“O álbum é bem legal, com os pontos da nossa leitura a gente consegue ver as figurinhas”, diz o aluno Gustavo Oliveira Sousa, de 11 anos de idade. “Depois que veio o álbum, eu comecei a ler mais. Antes eu lia só o que a professora mandava”. Entre as suas leituras recentes, Gustavo cita títulos como Diário de um Banana, O Menino Maluquinho e O Pequeno Príncipe.

Aluna Lorena Minarelli dos Santos, de 11 anos de idade. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
Aluna Lorena Minarelli dos Santos, de 11 anos de idade. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Já a aluna Lorena Minarelli dos Santos, de 11 anos de idade, diz que o formato pode atrair novos leitores: “Eu acho que a experiência está sendo muito boa para aprendizagem, gente que não gosta de ler vai gostar agora, principalmente os meninos”.

Gustavo diz que vai se lembrar das trocas com os colegas nos próximos anos. “Não tenho o álbum de figurinha da Copa, mas nesse álbum eu também não sei qual figurinha vou tirar. A gente abre os pacotinhos e é uma experiência parecida, porque posso ver se meu amigo tem figurinha repetida e pedir pra ele trocar comigo”, continua o aluno. Ele ainda reconhece: “Eu vou ficar com boas memórias das duas coisas, das figurinhas e da leitura. Talvez um pouco mais dos livros, porque foi assim que comecei a ler mais”.

Plataformas de leitura

As duas plataformas — Elefante Letrado e LeiaSP — oferecem acervos digitais com centenas de livros para os estudantes da rede estadual: são aproximadamente 600 títulos para alunos dos anos iniciais, 290 para alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e 203 para alunos do Ensino Médio. O uso não é obrigatório, mas a Seduc-SP recomenda ao menos um momento semanal de leitura orientada em sala, além do acesso livre em casa. O acesso às ferramentas é feito por meio do aplicativo Sala do Futuro.

Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP

Escola cria álbum próprio com estudantes

Na Escola Estadual João Moretti, em Boituva, a ideia dos álbuns inspirados no futebol ganhou uma adaptação local: um álbum físico com figurinhas dos próprios alunos e professores. O projeto, chamado “Padrão FIFA”, propõe que cada estudante complete sua coleção a partir de metas ligadas ao cotidiano escolar, como frequência, participação nas aulas e cumprimento de combinados.

Além das figurinhas comuns, o álbum inclui versões especiais com integrantes da equipe escolar e promove a troca entre os estudantes nos intervalos. A proposta, segundo a diretora Denise Maria Nascimento, busca estimular engajamento, convivência e senso de pertencimento, ampliando a lógica dos álbuns digitais para outras formas de participação na rotina escolar.

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