
A Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) iniciou a maior inspeção já realizada em sua história na adutora do São Francisco, um dos principais sistemas de produção de água tratada do estado. Pela primeira vez, em mais de quatro décadas de operação, toda a extensão da estrutura está sendo submetida a um diagnóstico técnico completo no trecho que liga os municípios de Propriá, onde é feita a captação de água bruta, a Nossa Senhora do Socorro, onde está localizada a Estação de Tratamento de Água. A distância linear entre os dois pontos é de aproximadamente 90 quilômetros e, considerando que o sistema é composto por duas linhas de adução com diâmetros de 1.000 e 1.200 milímetros, ambas incluídas integralmente na inspeção, o total vistoriado chega a cerca de 180 quilômetros.
O presidente da Deso, Luciano Goes, ressalta a importância estratégica da iniciativa e o caráter inédito da ação. “Estamos realizando, pela primeira vez, um diagnóstico completo de toda a extensão da adutora do São Francisco. Isso representa um salto de qualidade na forma como gerimos nossos ativos, porque passamos a atuar de forma preventiva, baseada em dados e com tecnologia de ponta”, afirma.
Ele também destaca os ganhos operacionais proporcionados pelo uso da metodologia. “Esse tipo de inspeção nos permite antecipar problemas, reduzir riscos e planejar intervenções com muito mais eficiência. É um investimento direto na segurança hídrica e na confiabilidade da produção de água tratada para a população sergipana”, completa.
A ação é executada por meio de contrato com a Morken Brasil, que aplica a metodologia proprietária RupiX, baseada na integração de diferentes tecnologias para avaliação da integridade de tubulações. O trabalho permite identificar, com elevado nível de precisão, pontos que demandam manutenção preventiva ou corretiva, sem necessidade de intervenções invasivas ao longo do sistema.
Ao detalhar o processo, o técnico de campo da Morken Brasil, Marcelo Teixeira, destaca que a metodologia segue etapas bem definidas, com foco na correlação de dados técnicos coletados em campo. “A gente começa verificando o estado da proteção catódica, com medições do potencial tubo-solo em pontos específicos. Em seguida, fazemos a análise da resistividade do solo. Depois, realizamos a detecção de falhas de revestimento e a geolocalização da tubulação. Por fim, aplicamos a análise magnética do metal, que permite identificar anomalias estruturais. Com a correlação desses dados, conseguimos classificar com alta assertividade quais áreas são prioritárias para manutenção”, explica.
Segundo o técnico, o método também contribui diretamente para a prevenção de falhas. “Esse conjunto de informações nos permite direcionar as intervenções com precisão, evitando vazamentos e fortalecendo a manutenção preventiva da tubulação”, acrescenta.
Todos os dados coletados em campo são processados por uma equipe especializada, responsável pela elaboração de relatórios técnicos detalhados que orientam o planejamento das ações da Deso. A Companhia também acompanha em tempo real o avanço da inspeção por meio de uma plataforma digital, garantindo maior controle sobre cada etapa do trabalho.
Com a ação, a Deso fortalece o monitoramento de um dos mais importantes sistemas de adução do estado e consolida uma gestão cada vez mais moderna, técnica e orientada por dados, assegurando maior eficiência operacional e continuidade no atendimento à população.








