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Do Moinho Central na década de 1940 às ocupações, incêndios e o recomeço com dignidade: conheça a trajetória da última favela do centro de SP

Projeto do Governo de São Paulo para dar condições dignas de moradias às cerca de 850 famílias completa um ano

Antônio Carlos Garcez
Por: Antônio Carlos Garcez Fonte: Secom SP
23/04/2026 às 13h02
Do Moinho Central na década de 1940 às ocupações, incêndios e o recomeço com dignidade: conheça a trajetória da última favela do centro de SP
O moinho foi desativado nos anos de 1980 e o local permaneceu fechado por anos Foto: Divulgação/Governo de SP

O Governo de São Paulo deu início em abril do ano passado a uma das maiores ações sociais dos últimos anos: o reassentamento das famílias que viviam na Favela do Moinho, na região central da capital. A ação marca o resgate da dignidade para cerca de 850 famílias que, por décadas, viveram expostas a riscos constantes, desde condições sanitárias precárias, doenças infecciosas e a presença de animais peçonhentos, até o permanente perigo de incêndios, confinadas entre duas linhas de trem e sob a influência do crime organizado.

Situada entre o Bom Retiro e os Campos Elíseos, o local nem sempre foi uma área relegada à própria sorte. Muito antes de ser invadido, ali funcionou por anos um dos marcos da indústria paulista, o Moinho Central.

A fábrica foi inaugurada em 1949, durante a era de ouro da indústria nacional, e chegou a processar 450 toneladas de farinha por dia. O local servia ainda como hub de distribuição ferroviária. O moinho foi desativado nos anos de 1980 e o local permaneceu fechado por anos.

Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP

Em 1990, com a desativação da fábrica e a falta de uso da área, começaram as primeiras ocupações familiares. Nos anos seguintes, o processo se expandiu e a Favela do Moinho, como ficou conhecida, chegou a abrigar mais de 1 mil famílias.

Com as moradias construídas entre duas vias férreas, sem saneamento básico e abrigando moradores em situação de alta vulnerabilidade social, a favela enfrentou surtos de doenças, de animais peçonhentos e a chegada de facções criminosas que passaram a usar o local para distribuição de drogas.

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O local foi marcado ainda por dois grandes incêndios, em 2011 e 2012, com dezenas de vítimas, que expuseram a necessidade de buscar uma solução definitiva para os moradores da região.

No entanto, a solução só veio, de forma permanente, com a intervenção do Governo de São Paulo, em 2023, que solicitou ao Governo Federal a cessão da área, abrindo caminho para o plano de reassentamento e para a futura criação de um parque público.

Em agosto de 2024, os técnicos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) fizeram a primeira visita técnica para reconhecimento territorial e início do processo de diálogo com a comunidade para preparar as ações de campo.

Entre outubro e novembro daquele ano foi concluído o cadastramento das famílias, etapa essencial para garantir atendimento social responsável e transparente. Em 22 de abril de 2025, teve início, oficialmente, o reassentamento voluntário, conduzido com suporte social e técnico da CDHU. Os comerciantes locais foram indenizados pela Prefeitura, em trabalho de cadastro e vistorias apoiado pela CDHU, garantindo que ninguém ficasse para trás na transição.

No dia 7 de maio do ano passado, mais de 100 famílias já tinham deixado para trás a antiga realidade para viverem nas unidades habitacionais disponibilizadas pelo Governo de SP.

Em 8 de setembro, foi a vez das autoridades enfrentarem a criminalidade que tomou conta da favela e mantinha os moradores ameaçados e com medo. Em uma ação conjunta, o Ministério Público e a Polícia Militar, dez pessoas foram presas, entre eles Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, o “Léo do Moinho”, apontado como um dos chefes do PCC no local, preso no ano anterior.

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Um ano após o início do programa, 912 famílias já foram reassentadas em moradias dignas e seguras do CDHU e faltam menos de 40 para concluir 100% da retirada dos moradores, marca que deve ser alcançada ainda neste semestre.

Na segunda fase do projeto, a ser iniciada ainda em 2026, começam os estudos para revitalização do espaço, que vai abrigar um parque público linear, com áreas verdes e de lazer, e também uma estação de trem.

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