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Oficinas, literatura e roda de conversa valorizam a cultura sergipana no Festival Sergipanidade

Público participou de oficinas de dança, xilografia, cerâmica e renda irlandesa, além da roda de conversa 'Sergipanidades: Influências da Cult...

Antônio Carlos Garcez
Por: Antônio Carlos Garcez Fonte: Secom Sergipe
31/10/2026 às 18h01
Oficinas, literatura e roda de conversa valorizam a cultura sergipana no Festival Sergipanidade
Foto: Ascom/Funcap

As tradições, os saberes populares e as diferentes formas de expressão artística continuaram em destaque na programação do Festival Sergipanidade, neste sábado, 31, no Centro de Criatividade, em Aracaju. O público participou de oficinas de dança, xilografia, cerâmica e renda irlandesa, além de acompanhar o pré-lançamento do livro 'Encantos da Encantaria', de César Ribeiro, e a roda de conversa 'Sergipanidades: Influências da Cultura Sergipana no Processo Criativo', que reuniu experiências e reflexões sobre a presença da cultura local na produção artística.

O Festival Sergipanidade é uma realização do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), em parceria com as secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem) e da Educação (Seed) e a Secretaria Especial da Cultura (Secult), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

Entre as atividades realizadas esteve a oficina de renda irlandesa, conduzida pela rendeira Adriane Oliveira, de Divina Pastora, em parceria com a Seteem. Reconhecida como uma das expressões mais representativas do artesanato sergipano, a renda irlandesa carrega técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações. A oficina proporcionou aos participantes a oportunidade de conhecer de perto esse trabalho manual, seus detalhes e a dedicação envolvida na produção de cada peça.

“Ficamos muito felizes com a procura pela oficina e com o interesse das pessoas em conhecer a renda irlandesa, que é um patrimônio nosso. Ver esse reconhecimento e perceber que os participantes têm interesse em aprender nos dá esperança de que essa tradição continue sendo transmitida às novas gerações. Nossa cultura é muito rica e precisa seguir viva”, destacou Adriane.

A programação também contou com a oficina de dança 'Sergipe: Corpos, Ritmo e Tradição', ministrada por Netto Andrade, que explorou o movimento corporal como forma de expressão da cultura sergipana. Para o oficineiro, a atividade contribui para manter vivas as manifestações populares e aproximar o público dos ritmos tradicionais. “É muito importante promover essas práticas para incentivar a continuidade dos movimentos juninos e proporcionar o contato com ritmos como o xote, o xaxado e o baião. É uma forma de mostrar como essas expressões culturais influenciam nossos corpos e reforçar a importância de preservar e dar continuidade a essas tradições”, destacou.

Já a oficina de xilografia 'Sergipe em Entalhes', conduzida por Cláudia Nen, aproximou os participantes da técnica de gravura em madeira e de suas possibilidades artísticas. Para a artista, a atividade também foi uma oportunidade de valorizar as raízes e tradições sergipanas. “Nada mais importante do que levar para a xilogravura elementos e manifestações que fazem parte da nossa cultura, como as danças e os festejos populares. É uma forma de reconhecer e celebrar essa riqueza que nos pertence enquanto sergipanos”, afirmou.

A programação também incluiu a segunda aula da oficina de cerâmica 'Sergipe na Palma da Mão', com Alana Naara. Ao longo do período da tarde, outras atividades formativas deram continuidade à proposta de aproximar o público de diferentes técnicas e linguagens artísticas. 

Literatura e identidade em debate

A oficina de xilografia também integrou a programação de pré-lançamento do livro 'Encantos da Encantaria', de César Ribeiro, ampliando o espaço dedicado à literatura e às expressões culturais sergipanas.

Outro destaque foi a roda de conversa 'Sergipanidades: Influências da Cultura Sergipana no Processo Criativo', mediada pelo historiador Dênio Azevedo, com participação da estilista Rafa Càstro, integrante do grupo Severinas. O encontro promoveu uma reflexão sobre como as referências culturais, as tradições e as vivências do estado influenciam a criação artística e se transformam em inspiração para diferentes produções.

Para Dênio Azevedo, discutir a sergipanidade é essencial para fortalecer o sentimento de pertencimento entre os trabalhadores da cultura e reconhecer as referências que inspiram suas produções. “Foi um bate-papo descontraído sobre como Sergipe influencia o processo criativo e como a própria criação artística também contribui para consolidar esse sentimento de pertencimento e valorizar a nossa identidade”, destacou.

Já a estilista Rafa Càstro ressaltou a importância de reconhecer os elementos que tornam a cultura sergipana única. “Foi uma roda de conversa maravilhosa, em que pudemos evidenciar nossos símbolos e elementos de diferenciação, aquilo que nos representa e nos torna únicos enquanto sergipanos. Momentos como esse fortalecem o nosso sentimento de sergipanidade”, afirmou.

Cine Sergipanidade

O audiovisual também ganhou espaço com o Cine Sergipanidade, que reuniu produções locais e levou ao público histórias, personagens e manifestações culturais do estado. Entre os títulos exibidos estão 'Tototós: Canoas do Rio Sergipe', 'Lambe-Sujos x Caboclinhos' e 'Anarriê', obras que apresentam diferentes aspectos da memória e da identidade sergipana. A iniciativa amplia a visibilidade do cinema produzido em Sergipe e aproxima os espectadores de narrativas que fazem parte de sua própria história.

A produtora cultural Renata Arruda elogiou a iniciativa e destacou a importância de valorizar o audiovisual sergipano. “É uma iniciativa muito importante, porque o audiovisual tem uma presença forte em Sergipe e merece cada vez mais espaço e reconhecimento. Vim prestigiar o evento e fiquei encantada com a programação e com a beleza de tudo que foi preparado”, afirmou.

Público aprova

O cientista da computação Thalles Leopoldino participou da oficina de xilogravura e da roda de conversa sobre sergipanidade. Ele destacou o desafio de experimentar uma técnica artística diferente de sua área de atuação. “Foi uma experiência incrível e surpreendente, mas também desafiadora. Percebi que fazer xilogravura exige muita dedicação, precisão e habilidade. Foi muito interessante sair da minha zona de conforto e conhecer de perto essa forma de expressão artística”, contou.

A cantora Lua Paz destacou a troca de conhecimentos e a oportunidade de vivenciar de perto as tradições culturais sergipanas na oficina de dança. “Foi uma experiência incrível, um espaço de aprendizado e troca, em que pudemos ouvir, conversar e sentir essa cultura na pele. O professor compartilhou suas vivências com as quadrilhas juninas de uma forma muito potente, e também tivemos a oportunidade de conhecer melhor a história do forró e entender como ele foi se transformando ao longo do tempo”, contou.

Festival Sergipanidade

A segunda edição do Festival Sergipanidade acontece de 29 a 31 de outubro, no Centro de Criatividade, em Aracaju, com o tema 'Nossa gente, nossas raízes, nossa identidade'. 

A programação gratuita reúne diferentes linguagens artísticas e saberes tradicionais, com oficinas, rodas de conversa, sessões do Cine Sergipanidade dedicadas a produções locais, desfile de moda com coleções contempladas pela Lei Paulo Gustavo, feira de artesanato e economia criativa e apresentações musicais de artistas de diferentes gerações.

Foto: Ascom/Funcap
Foto: Ascom/Funcap
A rendeira Adriane Oliveira, de Divina Pastora / Foto: Ascom/Funcap
A rendeira Adriane Oliveira, de Divina Pastora / Foto: Ascom/Funcap
Netto Andrade / Foto: Ascom/Funcap
Netto Andrade / Foto: Ascom/Funcap
Cláudia Nen / Foto: Ascom/Funcap
Cláudia Nen / Foto: Ascom/Funcap
O historiador Dênio Azevedo e a estilista Rafa Càstro / Foto: Ascom/Funcap
O historiador Dênio Azevedo e a estilista Rafa Càstro / Foto: Ascom/Funcap
A produtora cultural Renata Arruda elogiou a iniciativa / Foto: Ascom/Funcap
A produtora cultural Renata Arruda elogiou a iniciativa / Foto: Ascom/Funcap
Thalles Leopoldino / Foto: Ascom/Funcap
Thalles Leopoldino / Foto: Ascom/Funcap
A cantora Lua Paz / Foto: Ascom/Funcap
A cantora Lua Paz / Foto: Ascom/Funcap
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