Com a chegada da sazonalidade dos vírus respiratórios – entre março e agosto -, período caracterizado pela maior circulação de agentes como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e Covid-19, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) intensifica o monitoramento e reforça as ações em todo o estado, com foco nas crianças, público mais afetado. Entre as estratégias adotadas, destaca-se a teleinterconsulta pediátrica, serviço de apoio remoto no qual médicos pediatras da Regulação Estadual discutem casos clínicos com profissionais de unidades de pronto atendimento de baixa e média complexidade.
A iniciativa tem como finalidade apoiar o diagnóstico, o manejo clínico e o adequado encaminhamento de crianças, especialmente nos quadros respiratórios graves associados ao período de sazonalidade.
“Trata-se de uma ferramenta mediada por tecnologias digitais que qualifica a tomada de decisão clínica e amplia a resolutividade da rede de atenção às urgências pediátricas. O serviço tem como principal objetivo qualificar a assistência prestada nas unidades de menor complexidade, por meio do suporte especializado em tempo oportuno, contribuindo para a melhoria da condução clínica dos casos. Ademais, busca ampliar a resolutividade local, reduzir encaminhamentos desnecessários e assegurar o direcionamento adequado dos pacientes conforme a gravidade e a necessidade assistencial”, explicou o coordenador de Urgência e Emergência da Central de Regulação Hospitalar, Bruno Concerva.
COMO FUNCIONA? — A teleinterconsulta é acionada pela unidade de saúde por meio do 0800 281-3555, da Central de Regulação Hospitalar, sempre que identificado um caso elegível para avaliação com pediatra regulador. Após o contato, o profissional assistente apresenta o quadro clínico, que é discutido com o especialista por telefone ou por recursos de telemedicina, como videochamada. A partir dessa avaliação conjunta, são definidos o plano de manejo do paciente e a necessidade de permanência na unidade de origem ou de encaminhamento para um serviço de maior complexidade.
Bruno Concerva ressalta o papel estratégico da teleinterconsulta durante o período de sazonalidade dos vírus respiratórios. “Durante este período, observa-se aumento significativo da demanda por atendimentos pediátricos, especialmente relacionados às Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG). Nesse contexto, a teleinterconsulta assume papel estratégico ao apoiar a triagem qualificada, otimizar a utilização dos recursos assistenciais e contribuir para a organização da rede de atenção, evitando a sobrecarga dos serviços de maior complexidade e garantindo maior segurança no manejo clínico dos pacientes”, detalhou.
DADOS — O volume de teleinterconsultas pediátricas apresenta variação ao longo do ano, com aumento expressivo durante o período de sazonalidade das doenças respiratórias. Nos momentos de maior demanda, a média mensal varia entre 500 e 800 atendimentos, podendo oscilar conforme o cenário epidemiológico e a incidência de outras condições, como doenças diarreicas, mais frequentes em períodos de temperaturas elevadas. Dados de 2025 apontam a realização de mais de 2.500 teleinterconsultas pediátricas ao longo da sazonalidade, número semelhante ao registrado em 2024, o que evidencia a consolidação do serviço como ferramenta estratégica de apoio à regulação e à assistência na rede estadual.