
Para promover a pesquisa, o conhecimento e o protagonismo feminino, a comunidade escolar do Centro de Excelência Senador Gonçalo Rollemberg, de Japaratuba (Diretoria Regional de Educação - DRE 4), promoveu uma feira de ciências com o tema ‘Mulheres na Ciência e Artes’. A ação, que teve a sua culminância no dia 10 de abril, ressaltou a educação por meio das ciências e da criatividade dos estudantes, que se mobilizaram em pesquisas, realização e apresentação de trabalhos nessa temática. Houve homenagens para personalidades femininas famosas nas áreas do conhecimento, como também para mulheres sergipanas.
A feira reuniu toda a comunidade escolar, com alunos do 8° e 9° ano do Ensino Fundamental e dos 1° ao 3° anos do Ensino Médio. Cada turma ficou responsável por pesquisar quatro mulheres, que representavam as áreas do conhecimento trabalhadas na grade curricular (Ciências Humanas, Linguagens, Ciências da Natureza e Exatas). No total, 40 mulheres foram pesquisadas, compreendendo as de influência regional (do estado), nacional e mundial. O evento contou, também, com visitas de gestores da DRE 4 e de estudantes de outras escolas da região, como a do Colégio Estadual José de Matos Teles.
Os coordenadores Marcos Antônio Monte e Alessandra Barbosa Bispo explicam que a feira é um evento anual da escola, em que, a cada ano, é trabalhado um tema diferente. Para este ano de 2026, o tema se baseou, para além do mês de março, na Semana Escolar do Combate à Violência Contra a Mulher, ocorrida durante os dias 23 a 27 de março, em que unidades de todas as DREs se mobilizaram em ações de enfrentamento à violência contra a mulher.
“A gente pensou nessa temática também como valorização da mulher, um contraponto a este momento que nós estamos vivendo de violência. Fizemos a ‘Semana do Combate’ e também a feira pensando em mostrar e valorizar a mulher e a sua capacidade científica, trabalhando nas áreas de ciências e de artes. Então, é a mulher ocupando todos os espaços”, afirma a coordenadora Alessandra Barbosa Bispo.
Os estudantes se dedicaram durante uma semana a pesquisar e montar materiais para a feira, usando a criatividade para montar estandes chamativos e ricos em histórias femininas. O resultado de todo este trabalho se deu na sexta-feira, 10 de abril, com a apresentação de todos os estandes nos espaços da escola. Alunos puderam circular por várias vivências de mulheres protagonistas, que fizeram história na humanidade e na comunidade em que viviam.
Maquetes, estátuas humanas, livros, cartazes e demais objetos decoraram os corredores da escola, transformando-a em um ambiente vivo, com memórias de grandes personalidades. A feira contou, também, com visitas da gestão da DRE 4, de estudantes de outras escolas da região, como a do Colégio Estadual José de Matos Teles.
“Essa feira busca fazer com que os alunos se interessem mais sobre a temática que está sendo abordada. No caso deste ano, especificamente, abordamos sobre mulheres na ciência, para que eles possam perceber que as mulheres possuem as suas capacidades. Em um momento tão crítico que estamos vivenciando a inferiorização da mulher, é importante enfatizá-la nesse sentido”, explica o coordenador Marcos Antônio Monte.
Mulheres protagonistas
A feira mostrou a grandiosidade de mulheres que se destacaram em suas vidas por suas atuações e contribuições em áreas diversas. Mulheres sergipanas como a professora Zizinha Guimarães, a professora, historiadora e museóloga Maria Thetis Nunes, a cantora Antônia Amorosa, a cronista Alda Santos Cruz e a farmacêutica Paula Menezes foram homenageadas, com as suas histórias de vida contadas a partir da criatividade dos estudantes.
Outras personalidades, famosas pelo país, também foram celebradas. Alguns dos vários nomes que apareceram na feira foram as da escritora e professora Djamila Ribeiro, da atriz Fernanda Torres, da escritora e linguista Conceição Evaristo, da pintora e desenhista Tarsila do Amaral, da biomédica e pesquisadora Jaqueline Goes de Jesus, e da bióloga e professora Tatiana Sampaio. Outras personalidades mundiais, como a escritora francesa Simone de Beauvoir e a química e física polonesa/francesa Marie Curie, também foram homenageadas.
Os estudantes Maria Eduarda Feitosa, do 2° ano A, e Paulo Ricardo Santos, do 2° ano B do Ensino Médio, pesquisaram grandes nomes femininos para apresentar na feira. A Maria Eduarda pesquisou sobre a médica e psiquiatra Nise da Silveira, que contribuiu com a aplicação dos estudos psiquiátricos humanizados no Brasil, abandonando os antigos métodos. Já o Paulo Ricardo estudou sobre a Conceição Evaristo, importante escritora que resgata e valoriza a cultura preta no país.
“No meio de 157 homens, ela foi a única mulher a passar nesse ramo da psiquiatria. Então, ela foi uma forma de incentivo para as mulheres daquela época, para terem coragem de ir contra e de mostrar que as mulheres também têm voz”, afirma a jovem Maria Eduarda, ao falar de Nise da Silveira.
“Eu gostei que Conceição Evaristo retratou muito, nas obras dela, a vivência das mulheres negras e as suas lutas. Ela não deixa que a história das pessoas negras no Brasil seja esquecida, então ela tem toda uma grande importância. A partir do momento que uma mulher negra se coloca no lugar dela, dá a liberdade às outras pessoas estarem no mesmo lugar e quererem estar junto com ela”, comenta Paulo Ricardo, ao falar das pesquisas que fez sobre a escritora Conceição Evaristo.
Já as amigas Nailah Silva Monte e Maria Karine Letícia, do 8° ano do Ensino Fundamental, pesquisaram sobre a doutora e farmacêutica da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Paula Menezes. Karine Letícia destacou a representatividade da pesquisadora para elas, estudantes. “Paula Meneses foi uma grande mulher, porque ela representa a nós, mulheres e sergipanas, também, porque ela foi a primeira sergipana a ter ganhado o prêmio da Capes da Tese, por ela ter feito um medicamento para insuficiência venosa, sendo um grande avanço na tecnologia, na ciência e uma grande força feminina para nós”.














