Aos 92 anos, José Ataíde ainda tem muito a dizer — e o futebol baiano continua parando para ouvi-lo. Radialista, locutor, narrador e jornalista esportivo, ele é um dos grandes nomes da comunicação esportiva da Bahia e um dos profissionais mais longevos ainda em atividade no rádio e também na Radinha.
O seu programa, 'Boa Tarde Bola', vai ao ar todos os domingos, ao meio dia, na Rádio Metrópole, onde comenta os principais acontecimentos do esporte na Bahia. Mas essa parceria não é recente. Ela começou em 2009, quando Ataíde tinha 75 anos e mais de seis décadas de carreira e comandou o tradicional “Bom Dia Bola”, ao lado do filho Jefrey Ataíde, que permanece na coapresentação.
Nascido em 15 de março de 1934, José Ataíde começou no rádio em 1947, aos 13 anos. Desde então, construiu uma trajetória que atravessa gerações e reúne números impressionantes: são mais de 75 anos de carreira, 12 Copas do Mundo acompanhadas profissionalmente e mais de 1.240 Ba-Vis narrados ou comentados.
Sua primeira Copa foi em 1958, na Suécia, justamente no Mundial em que o Brasil conquistou o primeiro título e que Pelé surgiu para o mundo. Ao longo das décadas, Ataíde esteve presente em alguns dos momentos mais importantes do futebol nacional e internacional.
Enciclopédia viva do futebol
Conhecido pela memória prodigiosa, José Ataíde é capaz de recordar escalações, jogadores e histórias de equipes de diferentes épocas. Entre as lembranças, estão seleções históricas do Brasil e grandes times de clubes baianos. Essa capacidade fez dele uma espécie de “enciclopédia viva” do futebol, preservando na memória histórias que poderiam se perder com o passar do tempo.
Ataíde também levou sua trajetória para além dos estúdios. Ao completar 67 anos de carreira, transformou suas memórias em espetáculo teatral no Sesc Casa do Comércio. Aos 70 anos de rádio, voltou aos palcos para uma apresentação em que entrevistava a si próprio e relembrava histórias dos bastidores da profissão. Hoje, além do programa, se conecta ao público também por meio de seu portal e de palestras.
Mais do que um profissional de rádio, José Ataíde se tornou parte da própria história do futebol baiano. Sua voz acompanhou gerações de torcedores, seus relatos ajudaram a eternizar grandes partidas e sua memória guarda capítulos importantes de um esporte que mudou profundamente ao longo das décadas.
Aos 92 anos, ele segue no ar com a mesma disposição. Porque, para José Ataíde, o futebol nunca foi apenas profissão. Foi - e continua sendo - uma paixão de vida inteira.
Por: Cristiele França