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Arquivo Público Municipal contém acervo que possui história de antigas bibliotecas de Vitória da Conquista

Embora dados nacionais apontem para uma queda no hábito de leitura no Brasil, as ações locais em Vitória da Conquista, como a movimentação da bibli...

Antônio Carlos Garcez
Por: Antônio Carlos Garcez Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
13/04/2026 às 15h31
Arquivo Público Municipal contém acervo que possui história de antigas bibliotecas de Vitória da Conquista
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Embora dados nacionais apontem para uma queda no hábito de leitura no Brasil, as ações locais em Vitória da Conquista, como a movimentação da biblioteca municipal, mostram um ambiente cultural focado em incentivar o hábito de ler, com o segundo maisacervo municipal da Bahia, que chega a mais de 35 mil títulos, atraindo milhares de leitores anualmente.Isso se deve às campanhas ativas de doação e renovação de acervo, realizadas pela Biblioteca Municipal, que indicam um esforço contínuo para manter a comunidade engajada com a literatura.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Biblioteca Municipal José de Sá Nunes

A trajetória da Biblioteca Municipal e de outros espaços voltados à leitura em Vitória da Conquista constam nos registros do Arquivo Público Municipal, que possui fotografias e livros históricos sobre os acervos literários. Para quem gosta de resgate à história e deseja conhecer mais sobre o cotidiano do conquistense, sobretudo dos apaixonados pela literatura, vale a pena conferir.

O professor e memorialista José Mozart Tanajura publicou em seu livro “História de Conquista: crônica de uma cidade”que a Biblioteca Municipal José de Sá Nunes foi criada em 1952, a partir de uma sala de leitura, em que o acervo era composto por obras doadas por escritores e personalidades do mundo das letras. Somente em 1958 é que o local foi reconhecido como biblioteca e registrado no Instituto Nacional do Livro.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Professor Mozart Tanajura – Arquivo

Em 1963, a biblioteca foi transferida para o Instituto de Educação Euclides Dantas e ali permaneceu até o ano seguinte. Seu espaço foi totalmente ampliado em 1978, atendendo aos pedidos dos leitores e estudantes que frequentavam o local. Mas, ainda assim, o local não conseguiu comportar o acervo, pois possuía mais de 10 mil volumes e tinha uma frequência mensal de 9 mil leitores. A biblioteca, então, foi transferida mais uma vez, agora para um casarão histórico na Praça Tancredo Neves e funcionou até novembro de 1991. No mesmo ano, a biblioteca, finalmente, foi instalada no Bairro Recreio, onde funciona atualmente.

Uma das primeiras bibliotecas criadas em Vitória da Conquista foi a Biblioteca do Grêmio Castro Alves. Edifício construído no início da década de 20 por iniciativa da Igreja Católica Nossa Senhora das Vitórias, a biblioteca possuía mais de 1000 volumes, um número considerável, já que os livros eram objetos raros na época.

Inicialmente, o prédio abrigou o Educandário Sertanejo do poeta Euclides Dantas, mas somente em 1939, a propriedade foi doada ao Padre Luiz Soares Palmeira. O padre, então, fundou no local a primeira escola secundária da região, conhecida como Ginásio do Padre Palmeira, onde funcionava a renomada Biblioteca do Ginásio. No entanto, com a transferência do Padre para Salvador em 1964, o Ginásio de Conquista foi extinto, passando a biblioteca para o antigo Colégio Diocesano.

Em 1962, a bibliotecária e fundadora da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato em diversas cidades do interior, Denise Tavares, trouxe a biblioteca para Vitória da Conquista. Com acervo de mais de 4 mil volumes, a biblioteca funcionava no prédio do Lions Clube, integrado ao Jardim das Borboletas, na antiga Praça da República.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Jardim das Borboletas e Biblioteca Monteiro Lobato

Para a professora e doutora em educação pela Uesb, Denise Barreto, a biblioteca era o seu local favorito, pois lá ela podia ler seus livros. “Eu ia para a casa da minha tia na praça, já na intenção de ir à biblioteca, porque eu gostava de ler histórias. Eu sempre gostei de ler, leio até hoje. Eu me sentia realizada. Eu conheci o Monteiro Lobato lá, com 8 ou 9 anos”.

Em 1985, o edifício onde funcionava a biblioteca foi demolido, para que a atual Praça Tancredo Neves fosse construída no lugar. A biblioteca, então, foi realocada para a Praça do Cajá, no Bairro Brasil. Por ser um local de memórias afetivas, a professora Denise explica que a extinção da biblioteca foi como se um pedaço de si fosse arrancado.

Para o bibliotecário do Arquivo Público Municipal, Fábio Nascimento, que aproveitou para falar do Dia Nacional da Biblioteca, celebrado em 9 de abril, a biblioteca poderia ser reconstruída na cidade. “Assim como a Biblioteca de Alexandria foi reconstruída com toda a grandeza e tem sido uma forma de afirmar o seu legado e mostrar a importante contribuição que as bibliotecas têm nos dias atuais, seria maravilhoso pensar na reconstrução da Monteiro Lobato de Conquista com essa mesma finalidade”, disse, acrescentando que o Dia Nacional da Biblioteca é importante para que as pessoas entendam como a leitura é gratificante e como esses espaços contribuíram e ainda contribuem para a formação de cidadãos pensantes, críticos e autônomos. “A leitura funciona como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento intelectual, emocional e social, permitindo que os indivíduos compreendam o mundo e a si mesmos”.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
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