
Associação Bahiana de Imprensa (ABI) viveu nesta quartafeira (10) um momento histórico: Pela primeira vez em 95 anos, a entidade será comandada por uma mulher. A jornalista e empresária Suely Temporal foi eleita em Assembleia Geral Extraordinária para presidir a diretoria no triênio 2025– 2028. A votação ocorreu de forma híbrida, presencial e virtual, e a posse foi realizada à noite, na sede da ABI, no Centro Histórico de Salvador.
A escolha de Suely reflete um movimento de renovação da entidade, que trouxe 40% de novos nomes para a diretoria. “Eu nunca almejei ser presidente, mas me sinto honrada. Essa conquista é coletiva, de homens e mulheres que ajudaram a construir esse caminho. Reflete os tempos atuais, em que as mulheres ocupam a maioria das redações e das assessorias de imprensa. A ABI acompanha o seu tempo”, destacou a nova presidente em entrevista à Tribuna da Bahia, parceiro do Jornal do Povo.
A presidente eleita assumiu com a promessa de dar continuidade a iniciativas já em curso e de enfrentar um desafio urgente: a questão do aluguel do prédio onde funciona a entidade, que tem a Prefeitura de Salvador como sua mais antiga inquilina. “Minha prioridade zero é resolver essa situação, que compromete as finanças da ABI. Precisamos garantir a preservação do edifício Ranulfo Oliveira e evitar o destino trágico de outros imóveis históricos”, explicou.
Apesar das dificuldades financeiras, Suely reforçou que a ABI seguirá investindo em projetos culturais e de memória. Entre eles, a revista Memórias da Imprensa, que reúne entrevistas e análises sobre a trajetória e os desafios da comunicação, e a série de concertos Lunar, realizada em parceria com a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia.
Ela também enfatizou a necessidade de atrair novas gerações para dentro da instituição quase centenária. “A ABI precisa se oxigenar. Quero trazer mais jovens para dentro da casa, para que eles se sintam parte da história e ajudem a construir o futuro do jornalismo baiano”, disse.
O jornalista Ernesto Marques, que presidiu a entidade entre 2020 e 2025, avaliou de forma positiva o período à frente da ABI. “Conseguimos fortalecer a entidade do ponto de vista administrativo e cultural. Investimos na modernização da sede e ampliamos o diálogo com a sociedade. O maior desafio que fica é a renegociação com a prefeitura, que será fundamental para que a nova gestão possa voar mais alto”, declarou à Tribuna.
Já o presidente da Tribuna da Bahia, expresidente da ABI e atual presidente da Assembleia Geral, Walter Pinheiro ressaltou o simbolismo da posse e a confiança no protagonismo feminino. “Suely chega à presidência trazendo autodeterminação, sensibilidade e confiança, qualidades que vão abrir uma nova etapa de crescimento e afirmação da ABI perante a sociedade. Ela já é uma profissional atuante e reconhecida na entidade, e seu comando marca uma fase de renovação e fortalecimento da casa”, afirmou.
Com quase cem anos de história, a ABI reafirma seu compromisso com a liberdade de expressão e a valorização do jornalismo, agora sob a liderança inédita de uma mulher que assume para escrever um novo capítulo na comunicação baiana.












